Quantas soluções para resolver o problema?

Alguém já disse que é difícil ver a floresta por causa das árvores. É um bom exemplo de que a escala em que analisamos a realidade é limitada pela nossa amplitude de visão. Felizmente, temos diversos mecanismos e formas de ver o todo.

Assim como a floresta, o beneficiamento mineral é imenso. Tudo é muito grande, muito interligado e precisa ser muito bem organizado para que a  usina opere com qualidade, segurança e sustentabilidade.

Com toda esta complexidade, é claro que há problemas e desafios. A questão é que, dada a multiplicidade de etapas e interconexões dentro de um processamento, nem sempre é fácil encontrar a causa raiz dos problemas.

É nisto que os sistemas de levantamento de possíveis causas ajudam muito. Entre estes sistemas, o clássico diagrama de Ishikawa (não, ele não é ultrapassado!)  é  uma boa opção.

Aliás, muito mais do que o desenho da espinha de peixe (talvez o desenho seja o que pareça meio ultrapassado…), o que importa na ideia do diagrama de Ishikawa é a segmentação proposta para buscar as possíveis causas. Pensar por partes ajuda muito, e os seis itens propostos por Ishikawa produzem uma boa visão do todo. Assim, o mais importante mesmo é avaliar o processo em relação aos diversos segmentos:

  • Método
  • Minério e Insumos
  • Pessoal
  • Equipamentos
  • Medida
  • Ambiente.

Mesmo que cada usina tenha suas particularidades, até certo ponto, para os problemas mais típicos, as causas potenciais mais comuns podem ser bastante similares. Assim,  por exemplo, dentro da sessão de Método, diversas perguntas podem direcionar a identificação de causas, entre elas:

  • Os sistemas automáticos estão bem regulados em todas as esferas (regulatório, avançado, etc)?
  • O regime permanente é alcançado em cada circuito e na planta? As cargas circulantes são estáveis e válidas?
  • Os procedimentos operacionais regulares e em casos de problemas típicos são bem conhecidos e estão disponíveis para a equipe? Cobrem o caso atual?

Embora sejam perguntas gerais, se você as colocar dentro do contexto de sua usina ou de seu circuito, elas podem dar informações relevantes sobre eventuais problemas de método que estejam afetando seu processo.

Na sessão de Medidas, algumas perguntas importantes são:

  • Todas as medidas relevantes estão disponíveis em tempo real? Se não, há inferências válidas e corretas?
  • As medidas disponíveis são confiáveis? Os dados são compatíveis com a realidade? É possível verificar isto?
  • Os cálculos feitos são compatíveis com a realidade física/química? Os modelos estão calibrados?
  • É possível reconciliar balanços em cada circuito de modo confiável? (continua depois da foto)

É impressionante como uma avaliação destes itens é capaz de apontar causas de problemas sérios de medidas que não são visíveis no cotidiano da operação, até porque no cotidiano da operação, as medidas são tomadas como certas. Então, se elas não estiverem certas por algum motivo, o problema fica invisibilizado por que não houve uma avaliação da correção destas medidas.  É aí que parar para pensar nestas perguntas ajuda muito. Mesmo que pareçam perguntas gerais, a verificação real das respostas pode ajudar demais a identificar problemas.

De modo semelhante, para cada segmento, Minério e Insumos, Pessoal, Equipamentos,  Ambiente, séries de perguntas podem ser realizadas para verificar se a causa do problema está naquela parte.

Aqui na página da Exímia, você pode baixar gratuitamente um arquivo que contém diversas perguntas para cada um dos temas do diagrama de Ishikawa. Veja o link ao final deste artigo.

Para cada pergunta, é importante avaliar:

  • como a resposta afeta o caso,
  • qual o impacto desta resposta sobre o problema,
  • porque este fator está desta maneira e
  • como esta situação pode ser resolvida.

Cada uma destas avaliações pode indicar causas possíveis para diversos problemas, desde os mais típicos até os mais invisibilizados. Por exemplo, como mencionei em método, há a pergunta sobre o regime permanente da planta. Continuidade de processo e regime permanente deveriam ser uma busca constante da operação. Quando estas duas condições não estão presentes na planta, há uma série grande de problemas e interferências nos diversos circuitos, nos sistemas de medida e, em consequência, na qualidade do controle.

Assim, quando a pergunta “O regime permanente é alcançado em cada circuito e na planta?” é respondida com um “Não”,  é necessário avaliar de que modo a falta de estabilidade está afetando tanto o processo em si quanto os cálculos de recuperação e teor; qual o impacto deste efeito; porque o regime não está sendo alcançado; como é possível retomá-lo ou como se pode calibrar as medidas enquanto a estabilidade não é alcançada. De todo modo, é necessário atuar para que o regime possa ser alcançado. Isto costuma resolver mais problemas do que se imagina!

Além destas questões mencionadas aqui, há várias outras que podem ser muito úteis.

Se quiser baixar gratuitamente o documento de avaliação da Exímia Consultoria e Desenvolvimento que contém diversas perguntas orientadoras para cada um dos temas do diagrama de Ishikawa, clique aqui

Este documento é uma base geral para uma avaliação interna e ajuda muito a ver o processo como um todo e “entender a floresta a partir das árvores“.

Se for útil para você, ficarei contente em saber, deixe seu comentário, pergunta ou sugestão.

Desejo sucesso!

Nilce Alves dos Santos.

Publiquei este artigo originalmente na página da Exímia no LinkedIn, em  04 de março de 2024. 

https://www.linkedin.com/company/eximiacd

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